{"id":4941,"date":"2021-05-01T13:49:33","date_gmt":"2021-05-01T11:49:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tiberiades.org\/?p=4941"},"modified":"2021-05-01T18:36:38","modified_gmt":"2021-05-01T16:36:38","slug":"entrevista-com-claudio-aguiar-sobre-o-libro-prontuario-de-infinito-de-alencart-em-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiberiades.org\/?p=4941","title":{"rendered":"Entrevista com Cl\u00e1udio Aguiar sobre o livro \u2018Prontu\u00e1rio de Infinito\u2019, de Alencart (em portugu\u00eas)"},"content":{"rendered":"<p><em>Tiber\u00edades agradece al periodista Mauricio Cifuentes por permitirnos publicar, en primicia trat\u00e1ndose del idioma portugu\u00e9s, su entrevista al reconocido escritor, traductor, dramaturgo y poeta brasile\u00f1o Cl\u00e1udio Aguiar. La misma gira en torno al libro \u2018Prontuario de infinito\u2019, del poeta peruano-salmantino, adem\u00e1s de otros asuntos relativos a la traducci\u00f3n en general y a la propia experiencia po\u00e9tica del autor cearense. La entrevista en espa\u00f1ol se public\u00f3 en el peri\u00f3dico La Raz\u00f3n. Aqu\u00ed el enlace:<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.larazon.es\/castilla-y-leon\/20210403\/o6yunqcfmnds5iy247bncz253u.html\"><em>https:\/\/www.larazon.es\/castilla-y-leon\/20210403\/o6yunqcfmnds5iy247bncz253u.html<\/em><\/a><\/p>\n<h2><strong>Entrevista com Cl\u00e1udio Aguiar sobre o livro de Alencart<\/strong><\/h2>\n<p><em>Mauricio Cifuentes<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o entrevistar um destacado escritor brasileiro que mant\u00e9m la\u00e7os indel\u00e9veis com a cidade de Salamanca, onde,na sua universidade de oitocentos anos, doutorou-se em meados dos anos oitenta. Cl\u00e1udio Aguiar (Cear\u00e1, 1944), autor de mais de vinte obras que v\u00e3o desde a narrativa \u00e0 poesia e ainda passando por ensaios e teatro, conquistou importantes pr\u00eamios liter\u00e1rios nacionais em seu pa\u00eds, a exemplo do Jos\u00e9 Olympio de Romance (1981), do Pr\u00eamio de Literatura do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura \/ Instituto Nacional do Livro (MEC-INL, 1982) e do Pr\u00eamio Osman Lins de Romance (1989), entre outros.<\/em><\/p>\n<h3><strong><em> Sabemos de sua amizade com o renomado poeta peruano-salamantino Alfredo P\u00e9rez Alencart , a qual vem desde meados dos anos oitenta, quando voc\u00eas se conheceram em Salamanca. Isso influenciou sua decis\u00e3o de traduzir duas obras do professor salmantino?<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>Cl\u00e1udio Aguiar \u2013 N\u00e3o.\u00a0 De modo algum. A amizade sempre constitui um forte elemento para aproximar as pessoas, sobretudo no caso de escritores ou artistas. No entanto, nem sempre a amizade dever\u00e1 significar um ponto de partida para manifesta\u00e7\u00f5es ou aprecia\u00e7\u00f5es de natureza est\u00e9tica. O que deve presidir atos dessa natureza, no caso, a tradu\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, sem\u00a0 outros interesses ou vantagens materiais, sem d\u00favida, \u00e9 o reconhecimento do valor est\u00e9tico da obra de autor vivo ou morto. Assim, o que me levou a traduzir at\u00e9 agora duas obras po\u00e9ticas de Alfredo Perez Alencart foi a carga est\u00e9tica imprimida nas obras mencionadas, principalmente voltadas para indaga\u00e7\u00f5es e respostas dadas nos temas abordados: a f\u00e9. Alencart tem se posicionado na abordagem de aspectos profundos e dif\u00edceis da condi\u00e7\u00e3o humana, chegando a indagar sobre o territ\u00f3rio do mist\u00e9rio, quer no \u00e2mbito do pr\u00f3prio signo guardado pela exemplar for\u00e7a de Cristo que nos ilumina, quer na dimens\u00e3o do infinito como um desv\u00e3o que nos impulsiona a meditar sobre sua vastid\u00e3o do que propriamente pela possibilidade de compreend\u00ea-la. Esse complexo problema religioso me chamou a aten\u00e7\u00e3o como leitor. Ent\u00e3o, resolvi traduzir ao portugu\u00eas sua poesia para que mais brasileiros possam tamb\u00e9m meditar sobre essas reflex\u00f5es t\u00e3o sens\u00edveis e atuais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4938\" aria-describedby=\"caption-attachment-4938\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4938\" src=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-1024x689.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-1024x689.jpg 1024w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-300x202.jpg 300w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-768x517.jpg 768w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-1536x1034.jpg 1536w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-2048x1379.jpg 2048w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-Prontuario-de-infinito-sobre-el-Puente-Romano-de-Salamanca-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4938\" class=\"wp-caption-text\">Prontuario de infinito sobre el Puente Romano de Salamanca<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong><em> Por falar em Prontu\u00e1rio de Infinito, livro recentemente traduzido por voc\u00ea para o portugu\u00eas, como avalia seu conte\u00fado e qual o grau de dificuldade encontrado no momento de traduzi-lo para a sua l\u00edngua?<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>CA \u2013 Em princ\u00edpio devo dizer que as dificuldades s\u00e3o enormes. A tradu\u00e7\u00e3o de poesia, mais do que de prosa, n\u00e3o se reduz a mera transcri\u00e7\u00e3o literal de termos em obedi\u00eancia a regras gramaticais adequadas. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de esfor\u00e7o que abandone o sopro criador original do poeta e termine, em alguns casos, por descolorir ou empalidecer os recursos antes empregados pelo autor, sobretudo no que diz respeito \u00e0s imagens\u00a0 e signos recorrentes na fatura prim\u00e1ria, que s\u00f3 o poeta tem a primazia de exercit\u00e1-la e fix\u00e1-la na t\u00eampera de seu verso, utilizando sua expressividade inata e peculiar. S\u00f3 ele pode sentir esse rebento inaugural e tecer um mundo que \u00e9 s\u00f3 seu. O tradutor, mediante o dom\u00ednio da l\u00edngua de chegada deve aproximar-se a esse arcabou\u00e7o, por\u00e9m, estou certo de que jamais sua vers\u00e3o, por mais perfeita e irretoc\u00e1vel que possa parecer ter\u00e1 o cond\u00e3o de atingir os logros inaugurais do poeta. O cuidado maior, na verdade, reside, exatamente na parte em que voc\u00ea indaga sobre a valoriza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado da obra. Essa quest\u00e3o, sem d\u00favida, existe. Por\u00e9m, no caso do tradutor a sua interfer\u00eancia n\u00e3o vai nunca al\u00e9m das assimila\u00e7\u00f5es inerentes, por exemplo, a qualquer leitor atento que tenha a obra em suas m\u00e3os. No meu caso pessoal de tradutor, como j\u00e1 ocorreu em rela\u00e7\u00e3o a outras obras por mim traduzidas, sei perfeitamente os limites e as permiss\u00f5es l\u00f3gicas que poder\u00e3o ser tentadas. J\u00e1 vivi isso, por exemplo, nos casos de minhas tradu\u00e7\u00f5es de Shakespeare, Maeterlinck e Unamuno. Afinal, como disse com acerto o cr\u00edtico D\u00e1maso Alonso,<em>\u201c<\/em>o poema \u00e9 um nexo entre dois mist\u00e9rios: o do poeta e o do leitor\u201d<em>. <\/em>Ent\u00e3o, nesse caso da valoriza\u00e7\u00e3o da obra <em>Prontu\u00e1rio de Infinito, <\/em>de fato, tudo que eu disser sobre essa obra ser\u00e1 opini\u00e3o de leitor atento e n\u00e3o de tradutor propriamente dito. Na resposta anterior referi-me \u00e0 dimens\u00e3o do <em>infinito<\/em> como se fora um profundo desv\u00e3o que nos convida a meditar sobre\u00a0 a sensa\u00e7\u00e3o de enormidade que nos parece afogar ou deixar sem f\u00f4lego, tamanho o esfor\u00e7o intelectual empregado para tentar decifr\u00e1-lo. Esse questionamento religioso sempre me chamou a aten\u00e7\u00e3o como crist\u00e3o e a obra de Alfredo Perez Alencart sugere as senhas para que o leitor se debruce sobre esse mist\u00e9rio e viva a possibilidade de indagar. Ali\u00e1s, a fil\u00f3sofa espanhola Mar\u00eda Zambrano refletiu de maneira profunda e tamb\u00e9m indagou sobre as fronteiras dessa quest\u00e3o em <em>Filosof\u00eda y Poes\u00eda<\/em>, inclusive colocando-a como um elemento intr\u00ednseco \u00e0 pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o do poeta que deseja descer (ou subir?) pelos mais \u00edngremes degraus em busca do espectro do Divino. A fil\u00f3sofa espanhola ampliou suas reflex\u00f5es de maneira extraordin\u00e1ria tamb\u00e9m no ensaio <em>El Hombre y lo Divino<\/em>. Foi Zambrano que apagou de minha retina aquela imagem agostiniana de que \u201ca poesia \u00e9 o vinho do diabo\u201d. Alfredo Perez Alencart vem mostrar com suas indaga\u00e7\u00f5es e afirma\u00e7\u00f5es percucientes e elevadas que a Poesia ainda \u00e9 um dos mais eficazes instrumentos para se decifrar labirintos e caminhos aparentemente sem ida nem retorno.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4937\" aria-describedby=\"caption-attachment-4937\" style=\"width: 1014px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4937\" src=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-Claudio-Aguiar-Alencart-y-Jose-Alfredo-Olinda-1996.-Foto-de-Jacqueline-Alencar.jpg\" alt=\"\" width=\"1014\" height=\"651\" srcset=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-Claudio-Aguiar-Alencart-y-Jose-Alfredo-Olinda-1996.-Foto-de-Jacqueline-Alencar.jpg 1014w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-Claudio-Aguiar-Alencart-y-Jose-Alfredo-Olinda-1996.-Foto-de-Jacqueline-Alencar-300x193.jpg 300w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-Claudio-Aguiar-Alencart-y-Jose-Alfredo-Olinda-1996.-Foto-de-Jacqueline-Alencar-768x493.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1014px) 100vw, 1014px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4937\" class=\"wp-caption-text\">Cl\u00e1udio Aguiar, Alencart y Jos\u00e9 Alfredo (Olinda, 1996. Foto de Jacqueline Alencar)<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong><em> A Editora Galo Branco, do Rio de Janeiro, publicou em 2011 sua tradu\u00e7\u00e3o do livro de poesia Cristo da Alma, de P\u00e9rez Alencart. Quais as semelhan\u00e7as e as diferen\u00e7as encontradas por voc\u00ea entre os dois livros?<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>CA \u2013 Em verdade existem semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as fundamentais. A pr\u00f3pria dimens\u00e3o da <em>alma<\/em> e do <em>infinito,<\/em> por si s\u00f3, j\u00e1 seria suficiente para cifrar as linhas diferenciais entre os termos constitutivos da mat\u00e9ria po\u00e9tica elegida por Alencart nos dois livros mencionados. A alma, entenida com sua carga individual como algo inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o individual do ser humano, somente atinge o sentido metaf\u00f3rico com significado totalizante quando falamos, por exemplo, da \u201calma do mundo\u201d.\u00a0 Aqui, no entanto, n\u00e3o \u00e9 o caso. Por outro lado, bem diferente \u00e9 a no\u00e7\u00e3o que se conhece do que seja infinito. N\u00e3o basta dizer que significa algo que n\u00e3o tem limites ou fim. No foco do poeta Perez Alencart o infinito est\u00e1 associado a Deus, ou, seja, \u00e0 dimens\u00e3o divina daquilo que se insere na pr\u00f3pria ilimitabilidade das coisas, por serem, enfim, incont\u00e1veis.\u00a0 A semelhan\u00e7a entre <em>Cristo del Alma e Prontu\u00e1rio de Infinito, <\/em>a meu ver<em>, <\/em>de sa\u00edda, se nota no foco religioso que aproveita a tem\u00e1tica.<\/p>\n<h3><strong><em> Considera que a poesia com olhar voltado para o divino ou para o transcendente est\u00e1 considerada pior do que outras de tem\u00e1tica mais terrena ou, pelo contr\u00e1rio, considera que o espiritual est\u00e1 enraizado no ser humano e necessita dessas fontes?<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>CA \u2013 Creio que sim. Principalmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas quando vemos, por um lado, prosperar com muita \u00eanfase o apego excessivo a certos aspectos materiais da vida e, por outro, quase um desd\u00e9m pelos estigmas e mist\u00e9rios que norteiam a dimens\u00e3o do Divino. N\u00e3o me refiro, aqu\u00ed, exclusivamente a posturas pol\u00edticas ou ideol\u00f3gicas, mas a fatores negativos e lament\u00e1veis que afetam a f\u00e9 ou a cren\u00e7a das pessoas nas mais diferentes \u00e1reas do globo terrestre. \u00c9 comum ver-se persistir a explora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 com objetivos escusos e injustific\u00e1veis por grupos que se armam de uma ret\u00f3rica aparentemente religiosa e salvacionista, mas, de fato, est\u00e3o mirando outos alvos. As dimens\u00f5es terrenal e espiritual, a meu ver, s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias a todos os seres humanos. N\u00e3o vejo motivo para se defender \u00eanfase em um ou em noutro aspecto. Nem tampouco insistir em desqualifica\u00e7\u00f5es deste ou daquele comportamento. As categorias da vida terrena, do terra a terra, do dia a dia, enquanto experimentadas pelos seres vivos, a rigor, devem fluir em todas as dimens\u00f5es com liberdade de a\u00e7\u00e3o e de respeito entre ellas, inclusive aos limites de passos que levem ao oposto do caminho pretendido ou os elimine. O espiritual, essa sede ou necessidade imperiosa de buscar explicac\u00e7\u00e3o para o mist\u00e9rio, \u00e9 algo inato do ser humano. As cren\u00e7as geram comportamentos e elei\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes, exigindo rendi\u00e7\u00f5es absolutas, por\u00e9m, n\u00e3o acho que se deva condicionar essas tend\u00eancias religiosas a cadinhos ou a caminhos exclusivos. Todos devem ter o direito de escolher o que melhor lhe aprouver.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4936\" aria-describedby=\"caption-attachment-4936\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4936\" src=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/4-Celia-Salca-Jacqueline-Alencar-y-Claudio-Aguiar-en-la-playas-de-Janga-Brasil-1996-1024x588.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/4-Celia-Salca-Jacqueline-Alencar-y-Claudio-Aguiar-en-la-playas-de-Janga-Brasil-1996-1024x588.jpg 1024w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/4-Celia-Salca-Jacqueline-Alencar-y-Claudio-Aguiar-en-la-playas-de-Janga-Brasil-1996-300x172.jpg 300w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/4-Celia-Salca-Jacqueline-Alencar-y-Claudio-Aguiar-en-la-playas-de-Janga-Brasil-1996-768x441.jpg 768w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/4-Celia-Salca-Jacqueline-Alencar-y-Claudio-Aguiar-en-la-playas-de-Janga-Brasil-1996-1536x882.jpg 1536w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/4-Celia-Salca-Jacqueline-Alencar-y-Claudio-Aguiar-en-la-playas-de-Janga-Brasil-1996.jpg 1769w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4936\" class=\"wp-caption-text\">Celia Salsa, Jacqueline Alencar y Cl\u00e1udio Aguiar, en la playas de Janga (Brasil, 1996)<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong><em> \u00c9 interessante ver como um escritor de prest\u00edgio como voc\u00ea, premiado por v\u00e1rios de seus romances, pe\u00e7as teatrais e contos, se preocupa em traduzir a poesia de P\u00e9rez Alencart. Voc\u00ea escreveu e publicou poesia? Pergunto-lhe isso porque muitos contadores de hist\u00f3rias de prest\u00edgio costumam comentar com frequ\u00eancia que gostariam de ser poetas, tal como o pr\u00f3prio Miguel de Cervantes queria ser reconhecido como tal.<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>CA \u2013 J\u00e1 tenho me defrontado com algumas considera\u00e7\u00f5es de pessoas que acham necess\u00e1ria a elei\u00e7\u00e3o de um \u00fanico g\u00eanero para que o escritor ou o artista se expresse. Para elas o romancista n\u00e3o pode ser dramaturgo, ensaista, poeta. E vice-versa. Antes de pensar que essa exclusividade poderia alinhar-se a uma efetiva eleva\u00e7\u00e3o da fatura est\u00e9tica e ser capaz de iluminar a obra e d\u00e1-la reconhecimento indiscut\u00edvel, sou de opini\u00e3o que \u00e9, igualmente, comum encontrar escritores ou artistas dotados de capacidades m\u00faltiplas. Sei que, assim como existem os m\u00faltiplos, tamb\u00e9m existem os singulares, ou seja, aquelas pessoas que se revelam incapazes de expressar a s\u00edntese do verso, a leveza do tra\u00e7o e da cor, a cena essencial posta no palco da vida, a nota musical no pentagrama,\u00a0 etc. Desde jovem descobri existir em mim o dom de usar a palavra escrita para contar hist\u00f3rias, refletir e tentar cultuar a poesia no verso ou no reduzido palco da vida c\u00eanica. Ent\u00e3o, para contar hist\u00f3rias elegi as narrativas e o teatro;\u00a0 para refletir escolhi o ensaio; e, levado pela for\u00e7a da da experi\u00eancia sens\u00edvel, a poesia. Da\u00ed, costumo dar raz\u00e3o \u00e0queles que afirmam ser o dramaturgo um poeta. Como autor teatral tenho v\u00e1rias pe\u00e7as formalmente expressas em verso, inclusive a mais recente, <em>A \u00daltima Noite de Kafka<\/em>, um mon\u00f3logo com cerca de oitocentos versos, nos quais narro os \u00failtimos momentos da tortuosa vida do autor de <em>O Processo<\/em>. Al\u00e9m de teatro po\u00e9tico, publiquei recentemente o livro de poesia <em>Baile de Luz<\/em> e, em breve, aparecer\u00e1 <em>Or\u00e1culos para um mundo invis\u00edvel.<\/em> A poesia, ademais, parece ser algo que flui quase de maneira incontrol\u00e1vel, como se fora uma for\u00e7a inata que se manifesta n\u00e3o de maneira cerebral, mas a partir do cora\u00e7\u00e3o que pulsa. Acho que foi por isso que o poeta franc\u00eas Andr\u00e9 Chernier, a prop\u00f3sitso dessa incontrol\u00e1vel energia, disse que <em>\u201c<\/em>a arte faz os versos, por\u00e9m, s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 poeta<em>\u201d.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-4935\" src=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-682x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"559\" height=\"839\" srcset=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-682x1024.jpg 682w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-200x300.jpg 200w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/p>\n<h3><strong><em> Salamanca faz parte da sua hist\u00f3ria pessoal. Que mem\u00f3rias permanentes este alto povoado de torres lhe sugere, como costumava dizer o seu admirado Unamuno?<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>CA \u2013 Sou uma pessoa que tem experimentado viv\u00eancias significativas em v\u00e1rias cidades. Desde a vila cearense V\u00e1rzea Formosa encravada no topo da Serra da Ibiapaba (Cear\u00e1), onde vim ao mundo, (que, inexplicavelmente, mudaram o nome para Poranga, que quer dizer em linguagem ind\u00edgena \u201cp\u00e1ssaro formoso\u201d), passando por Fortaleza, capital do Cear\u00e1, Recife, Olinda, cidade colonial empedrada e considerada Patrim\u00f4nio da Cultural da Humanidade, e, ainda, a emblem\u00e1tica cidade do Rio de Janeiro. A esse elenco n\u00e3o poderia faltar Salamanca, onde cheguei nos primeiros anos de 1980, para, juntamente com minha mulher, C\u00e9lia Salsa, e a filha Madalena, cumprirmos as obriga\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas perante a vetusta Universidade de Salamanca. Na verdade, foi uma esp\u00e9cie de alumbramento. A monumentalidade da cidade, a sua hist\u00f3ria milenar, os escritores, os poetas, os artistas, a cozinha especial, o conv\u00edvio acad\u00eamico, o ar de juventude a pulsar em suas ruas e pra\u00e7as, foram ocorr\u00eancias marcantes. Essa experi\u00eancia ultrapassou todas as normais expectativas e nos atingiu profundamente, sobretudo nas rela\u00e7\u00f5es de amizades com pessoas da Universidade e da urbe. V\u00ednculos profundos se armaram e persistem ao longo dos anos, como, por exemplo, a forte e sincera amizade que nos une a Alfredo Perez Alencart e sua fam\u00edlia, que, ali\u00e1s, vi crescer e formar-se. Salamanca passou a ser, desde ent\u00e3o, uma daquelas moradas em que, como eu disse em um dos poemas publicados em <em>Baile de Luz<\/em>, jamais poder\u00e1 ser esquecida de nosso pensamento:\u00a0 \u201cEis a minha sina: \/ de l\u00e1 n\u00e3o sa\u00ed \/ no dia que parti, \/ foi l\u00e1 que fiquei\u201d.<\/p>\n<h3><strong><em> Por fim, diga-nos: quais s\u00e3o os projetos que voc\u00ea est\u00e1 trabalhando agora?<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>CA \u2013 Apesar da grave crise sanit\u00e1ria que ainda grassa no mundo, no momento estou a escrever um novo romance e a trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o cultural na cidade colonial de Olinda. Vivermos entre Olinda e o Rio de Janeiro. A nossa casa olindense, um amplo solar colonial com mais de quatro s\u00e9culos, situado no S\u00edtio Hist\u00f3rico de Olinda\u00a0 no alto da colina de S\u00e3o Bento, presta-se bem para se instalar uma institui\u00e7\u00e3o destinada a compartilhar com jovens estudantes e outras pessoas interessadas\u00a0 atividades\u00a0 culturais, bem como pr\u00e1ticas inerentes \u00e0 leitura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e dram\u00e1tica. Queremos fazer com que, parte de nosso esfor\u00e7o de escritor estimule jovens da comunidade olindense a viver a experi\u00eancia de entrar em contato com a literatura e a cultura em geral.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4939\" aria-describedby=\"caption-attachment-4939\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4939\" src=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-Claudio-Aguiar-y-Celia-Salsa-su-esposa-1024x640.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-Claudio-Aguiar-y-Celia-Salsa-su-esposa-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-Claudio-Aguiar-y-Celia-Salsa-su-esposa-300x187.jpg 300w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-Claudio-Aguiar-y-Celia-Salsa-su-esposa-768x480.jpg 768w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-Claudio-Aguiar-y-Celia-Salsa-su-esposa-1536x960.jpg 1536w, https:\/\/tiberiades.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/6-Claudio-Aguiar-y-Celia-Salsa-su-esposa-2048x1280.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4939\" class=\"wp-caption-text\">Claudio Aguiar y Celia Salsa, su esposa<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiber\u00edades agradece al periodista Mauricio Cifuentes por permitirnos publicar, en primicia trat\u00e1ndose del idioma portugu\u00e9s, su entrevista al reconocido escritor, traductor, dramaturgo y poeta brasile\u00f1o Cl\u00e1udio Aguiar. La misma gira en torno al libro \u2018Prontuario de infinito\u2019, del poeta peruano-salmantino, adem\u00e1s de otros asuntos relativos a la traducci\u00f3n en general y a la propia experiencia po\u00e9tica del autor cearense. 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