Pompeu Martins

Pompeu Martins: Dos poemas

El pasado 10 de diciembre se presentó, en la ciudad portuguesa de Braga, el último libro de escritor Pompeu Martins. Se trata del poemario Paris 50, con el cual Martins celebró su medio siglo de existencia y su entrañamiento con la capital francesa. En dicho acto fue acompañado por Joao Artur Pinto (Editor de Labirinto), César Freitas, Victor Oliveira Mateus, Daniel Gonçalves y Alfredo Pérez Alencart, quien por entonces publicó tres poemas traducidos de dicho libro. Ahora, deja conocer en Tiberíades, otras dos traducciones inéditas.

4

Las escaleras en espiral,
el único camino donde comenzaba una extensa carta,
así que las bajaba e iba dejando, escalón a escalón,
lo que el tiempo dejaba a lo que nunca seríamos
para que podamos ser por completo.

Las escaleras de nuestro edificio,
lugar de diarias despedidas
de un cuerpo tan hermosamente envejecido
en las horas cuando se acariciaban
las despedidas y lo que no se decía y lo incorpóreo,
en el infinito ademán que es un imaginado adiós.

Las escaleras de nuestro edificio
con las canciones que nuestro silencio invadía
por el silencio tan profundo
de todo lo que sabemos de una canción.

Bajábamos con ellas en la memoria,
invadiendo silencios
y preguntando, como quien canta:

-¿Qué cantaremos al subirlas, aunque anochezca,
y fuéramos jóvenes y no fuéramos los mismos,
para siempre?

Las escaleras de nuestro edificio,
todo el tiempo, todo el tiempo, todo el ir
y toda la soledad del camino
que lleva a la casa y al no saber
esencial a lo que del amor se sabe.

Traducción de A. P. Alencart

4

As escadas em espiral,
a única estrada onde começava uma longa carta
assim que as descia e ia deixando, degrau a degrau,
o que o tempo largava ao que nunca seríamos
para o podermos ser inteiramente.

As escadas do nosso prédio,
lugar de despedidas diárias
de um corpo tão belamente envelhecido
nas horas onde se acariciaram
as partidas e os não ditos e os não corpos,
no infinito gesto que é um imaginado adeus.

As escadas do nosso prédio
com as canções que o nosso silêncio invadia
pelo silêncio tão fundo
de tudo o que soubemos de uma canção.

Descíamos com elas na memória,
invadindo silêncios
e perguntando como quem canta:

– Que cantaremos ao subi-las, assim que anoiteça,
e formos novos e não formos os mesmos,
para sempre?

As escadas do nosso prédio,
todo o tempo, todo o corpo, todo o ir
e toda a solidão da estrada
que leva à casa e ao não saber
essencial ao que do amor se sabe.

Claude Monet: Campo de Amapolas

11


Cogía cuatro o cinco amapolas
para que guardases los pétalos
entre las hojas de nuestros libros
y de eso hicieses un secreto.

Quería descubrirlas de repente,
años más tarde, y que ese de repente
trajera un aroma de saudade
y conmoción por todo lo que fue creciendo
desde cuando las cogí.

Te cogía las amapolas
con la mirada clavada a los campos de Argenteuil,
al miedo de acabar sin memoria,
al terror de no tener ni una sola pregunta
que me hiciese el ademán
que viniese a ser el último.

Por eso te pedía secreto,
para ese encuentro que, de mi amor
y de nuestra saudade, nos valiese una vida,
tan frágil y tan bella como esos pétalos
desprendiéndose de los campos de Argenteuil,
de mis manos, de nuestros libros,
de todo lo que no siendo
floreciese en el tiempo y diese el sentido.

Traducción de A. P. Alencart

11

Colhia quatro ou cinco papoilas
para que lhes guardasses as pétalas
entre as folhas dos nossos livros
e disso fizesses segredo.

Queria descobri-las por um acaso,
anos mais tarde, e que esse acaso
trouxesse uma aragem de saudade
e comoção por tudo o que foi crescendo
desde o gesto de as ter colhido.

Colhia-te as papoilas
com o olhar preso aos campos de Argenteuil,
ao medo de acabar sem memória,
ao terror de não ter uma só pergunta
que me fizesse o gesto
que viesse a ser último.

Por isso, te pedia segredo
para esse encontro que, do meu amor
e da nossa saudade, nos valesse uma vida,
tão frágil e tão bela como essas pétalas
a desprenderem-se dos campos de Argenteuil,
das minhas mãos, dos nossos livros,
de tudo o que não sendo
florescesse no tempo e dissesse o sentido.

Joao Artur Pinto, Pompeu Martins y César Freitas

POMPEU MIGUEL MARTINS – Nasceu a 5 de novembro de 1969. Casado e pai dedois filhos. Licenciado em Sociologia pela Universidade Autónoma de Lisboa e Pósgraduado em Património Cultural Imaterial pela Universidade Lusófona. Vereador da Câmara Municipal de Fafe com os pelouros da Educação, Cultura, Turismo, Desporto e Juventude. De 1998 a 2005 assumiu o cargo de Professor e membro do Conselho de Direção da Escola Superior de Educação de Fafe e do seuConselho Científico. Entre 2005-2007 foi Delegado Regional de Braga do Instituto Português da Juventude e Membro do Comité para a Juventude do Eixo Atlântico. De 2007 a 2012 foi Diretor da Agência Nacional para a Gestão do Programa da Comissão Europeia «Juventude em Ação». De 2008 a 2010 tornou-se membro do Comité Nacional de Coordenação do Ano Internacional da Juventude da Organização das Nações Unidas. Na área do jornalismo, foi correspondente do jornal «Público» e «O Comércio do Porto», Diretor de Informação da Rádio Felgueiras, Chefe de Redação do jornal «Semanário de Felgueiras». Mantém colaboração regular no jornal «Povo de Fafe» como cronista.

Obras Publicadas

1999 – Lugar dos dias (poesia);
2000 – Tempo de Habitar o Quase Corpo (poesia)
2001- O Livro do Anjo (poesia)
2003 – As Mulheres (teatro/libreto)
2003 – Tambor do Mundo (poesia)
2004 – Contigo para um último dia (romance)
2006 – Máquina Royal (diário)
2009 – Do Intangível (poesia)
2013 – Ficar (Romance)
Publicou em diversas antologias nacionais e internacionais no domínio da literatura.

Cortés Cabán, Martín Cobano, Martins, Alencart, Salvado, Pinto, Pérez, Mata y Macedo (foto de jacqueline Alencar, Castelo Branco, Portugal, 2019) 



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